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Entenda o preço horário de energia

No dia 13 de dezembro em um fórum realizado na CCEE em São Paulo, instituições responsáveis pela organização do setor elétrico brasileiro se reuniram para tratar de um assunto de grande complexidade e  importância para a modernização das regras do setor. A implantação do modelo de preço horário de energia.  O objetivo é obter uma sinalização econômica mais aderente à necessidade operativa do sistema elétrico, que tem passado por uma transformação nos últimos dez anos com a introdução de novas tecnologias de geração. A meta é que essa nova sistemática entre em vigor em janeiro de 2019.

Segue um pequeno resumo de quais serão os principais benefícios e impactos com a implantação do novo modelo, na visão de cada agente do setor:

CCEE

Segundo Rodrigo Sacchi, gerente de Preços da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), a partir de simulação feita pela instituição, há expectativa que a nova metodologia contribua para a redução do Encargo de Serviço do Sistema (ESS), este que é gerado pelas térmicas despachadas fora da ordem de mérito. Na simulação feita, com base em junho de 2017, o ESS que foi de R$ 139 milhões seria de R$ 2 milhões com o preço horário.

Outros benefícios importantes serão a maior adequação para representar a variabilidade das fontes de geração intermitentes, além de favorecer o programa de resposta da demanda e abrir maior oportunidade a programas de armazenamento de energia como banco de baterias e carros elétricos.

Os próximos passos serão:

  • Avaliação metodológica do modelo DESSEM e sua validação;
  • Definição dos processos para a declaração dos dados e informações necessárias, bem como previsão diária da Carga, Vazões e Geração das Usinas não Simuladas Individualmente (UNSI)
  • Adequações nas operações do Mercado: Regras e Procedimentos de Comercialização, Processos internos a CCEE, Sistemas (CliqCCEE) e divulgação de resultados de PLD (em base horária)

 

ANEEL

Para a ANEEL os resultados esperados são:

  • Maior aproximação do preço à realidade operativa
  • Correta precificação das fontes que apresentam variabilidade de produção intradiária
  • Viabilização de novos produtos, negócios e serviços

 

ONS

Para o Operador Nacional do Sistema (ONS) a implantação da metodologia de preço horário irá resolver a desidratação dos reservatórios a cada estação seca com consequente perdas por deplecionamento, exigindo o despacho de térmicas mais caras para atender o horário de Ponta, além de representar melhor o problema de variabilidade e intermitência da geração eólica.

O ONS chama a atenção para as alterações legais, regulatórias e de procedimentos de rede para adequação da metodologia.

Empresas de consultoria e pesquisa

 Para agentes especialistas do setor elétrico a metodologia abrirá portas para novos negócios, produtos e serviços como:

  • Mercado mais dinâmico com novos produtos (flexibilidade horária) de energia, capacidade, ponta, serviços ancilares;
  • Novas oportunidades de negócio (Geração Distribuida, Armazenamento e backup)
  • Mercado mais dinâmico com novos produtos (flexibilidade horária) e maior liquidez
  • Impactos nas atividades de comercialização (back, midle e front office)
  • Possibilidade de redução de ESS
  • Mudança na gestão de riscos no MCP e no fluxo de caixa das Distribuidoras
  • Impactos nas tarifas / ponta
  • Ampliação da Resposta da demanda

 

Na opinião de Mário Veiga, presidente da PSR, o sucesso dessa nova metodologia vai depender da credibilidade dos preços no mercado de curto prazo, bem como a transparência na formação de preços.